Contemplação




Hoje eu vi a vida, a morte, e no intervalo entre um e outro: a contemplação!


Somos um monte de partículas esparsas que a cada instante


Nasce!


E no mesmo segundo,
simultaneamente,

Morre!


E assim vamos

Der


re

t


e

n



do

no ciclo i-ne-vi-tá-vel

entre o
viver

e o

morrer


Porque

a cada segundo

uma parte de nos

Derrete

Transforma
Transporta














Descamba

Anda
Desanda



Derretemos pra

transformar!

Pra

renascer



cada segundo,

uma

gota



cai


e ali,


a oportunidade


de morrrer!


a oportunidade

de ser!


outro!

livre!



É preciso perceber a oportunidade que há na morte
Porque em cada gota de nós que cai
Necessariamente
nasce outra forma

até o ultimo pingo

Com a libertação completa


Que
segue
escada
abaixo


até recomeçar o ciclo




de viver

e de morrer



Daí sublima


sobe




evolui






























desce
pra evoluir




A morte chama pra cima
CHAMA
da
morte
CHAMAda morte





Sublima


Hoje eu vi

A vida



E a morte



E no intervalo entre um e outro:



A contemplação!








(Sara Moreira, ainda em estado de devoção diante da exposição de mais de 600 esculturas de gelo feitas pela artista plástica Néle Azevedo, que naquele dia aos meus olhos foi Deus, o Deus da criação, o Deus da oportunidade, o Deus da renovação, o Deus dentro de mim, o Deus onipresente nas escadarias do Municipal de São Paulo, em comemoração aos 450 anos da cidade)

Um comentário:

Elaine disse...

Oi! Gostei muito do teor, da forma e da melodia contida nos seus escritos e espaços. Grata!