O simples é mais difícil....



Pensando sobre tudo o que ouço a respeito da música de Tom Zé, Carlinhos Brown [caramba! que som esse homem faz!], e Naná Vasconcelos, Jorge Ben Jor quem pra mim é o PAI DA SONORIDADE A SERVIÇO DA PALAVRA, lembro de uma passagem de uma tradução de livro taoista e q o Tao entendia que não tinha nada a ensinar pra um agricultor de vida simples, quem come qd tem fome, etc, etc.. Me parece que - SUPERVALORIZAMOS A PALAVRA EM DETRIMENTO DA VIDA E DO ESPIRITO - essa minha viagem indica que se o som tb representa uma passagem pra o espírito (o Tao diz isso tb) se ele chega em seu destino, através do som antes das palavras, essas, há de dançarem no movimento do som, NEM MAIS E NEM MENOS.... O SUFICIENTE, acho até um EXERCÍCIO DE HUMILDADE DA PALAVRA, o suficiente, como a vida do agricultor, e pra entender isso basta comparar a nossa dificuldade àquele modo simples de vida em face da nossa complexidade e paradoxalmente lemos lemos lemos sobre espiritualidade, filosofia e o diabo a quatro, todos tentando chegar aonde aquele homem ja chegou... O SIMPLES SEMPRE ME PARECEU MUITO DIFICIL, muito inatingível, por isso, autores assim sempre tiveram minha admiração (ninguém critica Drumond com a tal pedra no caminho.


Essa tendência é a mesma de quem SUPERVALORIZA AS PALAVRAS EM DETRIMENTO DA VIDA, das ações (nos todos, uns mais, outros menos)

Através desse tipo de som, portanto, venho aprendendo que:

1. A vida [a sonoridade que chega no espírito] vem antes que as palavras suas meras serviçais e expectadoras;

2. O simples é muito mais difícil;

3. É um exercício de humildade da palavra.

4. Então,

Vamos dançar! dançar! abstraia e... dance! dance! dance!

Solte o corpo, liberte a mente e seu espírito entendera mais rápido que sua mente poluída de idéias!

"deixe eu dançar pra o meu corpo ficar Odara, minha cara, minha cuca ficar Odara, pra ficar tudo joia rara,

...canto e danço que DARÁ!

Sara Moreira - 31/07/2006 10:25

O Parto


De repente ela se descobriu gestante...
Daí entre a espera do parto e a incerteza do futuro
começa a imaginar a feição da criança,
que cada dia ia lhe parecendo mais nítida
cada dia um detalhe era mais claro


Será que ela vai ser legal?
Será que as pessoas vão gostar dela?
Será que se sentira diferente?
Será que ela vai ter atitude pra ser diferente?
Será que sentira confortável em seu lugar no mundo?

Dia do parto.
Ela pega a sua sacolinha,
Na sala de espera ela analisa as demais gestantes...



Será que ela vai ter coragem?


Inútil pensar nisso...
O processo de parto se inicia....

Ela deita na maca,
Tensa, ela canta, chora e ri.
O trabalho é fotografado.


Nasceu!

Grande e bonita,

Firme e forte,

Recuperada, passado o susto,

Lá vão eles:

Ela, a tatuagem e o pescoço....

Eternamente inseparáveis.

Sara Moreira,

Contemplação




Hoje eu vi a vida, a morte, e no intervalo entre um e outro: a contemplação!


Somos um monte de partículas esparsas que a cada instante


Nasce!


E no mesmo segundo,
simultaneamente,

Morre!


E assim vamos

Der


re

t


e

n



do

no ciclo i-ne-vi-tá-vel

entre o
viver

e o

morrer


Porque

a cada segundo

uma parte de nos

Derrete

Transforma
Transporta














Descamba

Anda
Desanda



Derretemos pra

transformar!

Pra

renascer



cada segundo,

uma

gota



cai


e ali,


a oportunidade


de morrrer!


a oportunidade

de ser!


outro!

livre!



É preciso perceber a oportunidade que há na morte
Porque em cada gota de nós que cai
Necessariamente
nasce outra forma

até o ultimo pingo

Com a libertação completa


Que
segue
escada
abaixo


até recomeçar o ciclo




de viver

e de morrer



Daí sublima


sobe




evolui






























desce
pra evoluir




A morte chama pra cima
CHAMA
da
morte
CHAMAda morte





Sublima


Hoje eu vi

A vida



E a morte



E no intervalo entre um e outro:



A contemplação!








(Sara Moreira, ainda em estado de devoção diante da exposição de mais de 600 esculturas de gelo feitas pela artista plástica Néle Azevedo, que naquele dia aos meus olhos foi Deus, o Deus da criação, o Deus da oportunidade, o Deus da renovação, o Deus dentro de mim, o Deus onipresente nas escadarias do Municipal de São Paulo, em comemoração aos 450 anos da cidade)

Quem é o homem, quem é o pombo?


Pra onde estaria voando esse olhar?
Quem é o homem e quem é a pomba?
quem é livre e quem está preso?

Quem tem limitada sua capacidade de voar de sonhar de concretizar? De quem são as mãos que impedem de voar?

Pra qual horizonte esse olhos voam?
Pra que terras eles querem voar?
De qual terra lhes tiraram?

Quem é o pombo?

Quem é o homem?

De quem são as mãos?

Quem lhes retirou a possibilidade de voar?

Não sei.

Sei apenas que enquanto pomba,

Tenho esperança,

Enquanto homem,

Tenho fé!

Enquanto permanece a minha capacidade de olhar pra o horizonte,

posso voar!

[Sara, 26/10/2006]