Cozinhar....


Amor devoto, aquele que se aquece pela comida! É especial pela possibilidade de me permitir caminhar com pes livres e descalcos onde os sentidos podem me levar; É uma experiencia divina cozinhar pra o outro e tentar alcança-lo pela porta do olho, da boca e do nariz, ate chegar aonde seu espirito sorri. [e tudo Sara!] Sara Moreira.
Mora
Madrugada e
Malbec,

Não

Mora
Manto

Tinha a melancolia de um cachorro atropelado...

Andando por ai e falando gringo

Fiquei um pouco timida mas muito feliz com a tradução de um dos meus textos pelo jornalista italino Antonio Forni, do Portal italiano "Musi Brasil", um site maravilhoso que comecou apenas como um site sobre musica do Brasil e hoje é o maior portal da Europa sobre as coisas "dé bresil" com 2 milhoes de acessos mes. Dêem uma passadinha por la vale a pena. Seguem os links do texto e do site:

http://blog.musibrasil.net/2007/07/16/il-volo-della-colomba

Musibrasil: musica, parole, immagini del Brasile - http://musibrasil.net < http://musibrasil.net/>

Morte do Amor?


Refletindo sobre um texto que li intitulado "todos os dias morre um amor" pensando ainda sobre a desconhecida "Terra de Ninguém", que não é desconhecida, não é terra e muitas vezes tem um dono, ou mais de um me vem na cabeça que essa terra de ninguém de repente é apropriada, quem de repente vira ninguém, e se o amor acaba esta sempre a terra condenada a ser de ninguém...esta sempre a caminhar pra morte, mas morrer é renascer, morremos sempre pra nascer de novo.

Lembro que talvez um dia eu estive diante da personificação mais próxima disso que significa ser e não ser mais no mesmo instante, mas esse desconforto me levava pensar: e daí, o que fazer com isso?

Ao visitar a exposição de mais de 600 esculturas de gelo da artista plástica Néli Azevedo, nas escadarias do municipal, e la fiquei completamente atormentada com o que via: de repente, você é tudo e depois, não é nada, como o amor e sua carga de polaridade. Naquela agonia, rabisquei esse textinho aqui embaixo, ainda num guardanapo:

Hoje eu vi a vida, a morte, e no intervalo entre um e outro: a contemplação!

Somos um monte de partículas /esparsas/ que a cada instante/Nasce/E no mesmo segundo, simultaneamente, /Morre/E assim vamos derretendo no ciclo inevitável e simultâneo Entre o viver e o morrer/Porque a cada segundo uma parte de nos/Derrete/Transforma/ Transporta /Descamba/Anda/Desanda/Derretemos pra transformar!/Pra renascer/cada segundo /uma gota que cai/e ali, a oportunidade de morrer/Oportunidade de ser /outro/livre/É preciso perceber a oportunidade que há na morte/Em cada gota de nos que cai/Necessariamente nasce outra forma/até o ultimo pingo/Com a libertação completa/Que segue escada abaixo/até /recomeçar o ciclo/de viver/ e de/morrer/Daí sublima/sobe/evolui/desce/pra evoluir/A morte /chama pra cima/CHAMA/ da morte/ CHAMAda morte/Sublima/Hoje eu vi /A vida/E a morte/E no intervalo entre um e outro: A contemplação!


Pois é, acho que o amor nos da o mesmo sentimento de ser, e de completude que, quando o perdemos, sobretudo quando somos perdidos, encontramos a morte e sua paisagem...talvez viver e amar seja a mesma coisa e seus respectivos opostos.

Talvez o amor seja o contrario da morte.

Morre quem não ama

Vivemos quando não amamos.

No entanto, a vida do amor é caminhar pra morte...

Daí porque, o grande desafio moderno significa como CAMINHAR PRA MORTE...


E o que fazer com essa constatação?

Talvez o que precisamos aprender é exatamente isso: cada segundo morremos, pra transformar; morremos, pra

(re) viver...

ser

outra coisa...

Trazendo esse papo pra nossa realidade, ontem numa conversa deliciosa, no restaurante La Tartine, onde jantávamos: eu 2 amigos (daqueles momentos que poderiam ser embalados pra viagem e congelados no freezer pra de vez em quando "deglutilo-lo, mastigá-lo, lamber a lingua") falei exatamente isso:

- A minha consciência da morte das coisas, a consciência da transformação é que me faz rechaçar a idéia do amor romântico com sininhos tocando no ouvido. Essa consciência de "caminhar pra morte" há repercutir nas minhas escolhas. Que morre, morre, que transforma, transforma! Tal constatação deveria nos fazer nos preocupar muito mais com a vida do que com a morte, muito mais com a transformação do amor do que com o amor propriamente dito -

Naturalmente, a chama do amor, nos faz parecer que tudo são flores: eu sou maravilhosa e o outro não tem defeitos, ou amo até os seus defeitos e com isso o mundo é mais fácil. E a desilusão, ao descobrir o AMOR HUMANO que é o problema, afinal esse amor, acorda com cabelo despenteado, tem mal hálito, faz xixi deixando o tampa do vaso sanitário pra cima, os peitos caem, etc...

E ai?

Se eu me preocupei somente com o amor/vida e não com a transformação/morte, essa caixa de pandora pode cair nas graças dos sentimentos rasteiros quando vemos que meu louro é urubu! por isso o amor pra mim tem que partir de uma decisão quando me deparo com alguém especial, com quem posso conversar, ser companheira, e o tesão possa partir de uma decisão pra que "exista amor pra recomeçar". Podemos ai estar diante da morte (do amor des-erotizado) a transformação ao amor erotizado, que todos os dias morre e renasce... só isso e apenas isso....

Assim, nessa terra, NINGUEM deixa de ser ALGUEM, e o caminho da morte será sempre terno... no qual o golpe fatal do cotidiano quiçá seria transformado, transcendido.

E assim, chega o dia que percebemos que o amor, como a vida não acaba, apenas SE TRANSFORMA – APENAS ISSO; se transforma nele mesmo, nasce renasce no cotidiano dos casais juntos, ou separados, quando percebemos essa mobilidade e não nos assustamos com ela, pq deixamos pra trás a idéia dos sininhos nos ouvidos, e entendemos que a diferença esta na capacidade de erotização...

Essa tal erotização que faz a gente perder ou ganhar a guerra! Se a gente se abstrai da erotização e vê nela apenas a necessidade de concretização de um amor carnal, esse que também não precisa disso na mesma intensidade todo o tempo porque ele também tem sua mobilidade! Lateral ou vertical, e pode inclusive sair da cena, e o amor continua! E ninguém deixará de ser alguém na terra dos outros!

O caminho é mais importante que o destino! E viver é arriscado! Sempre! Mas o risco é calculado quando o companheiro de viagem parte de uma decisão.



Sara Moreira

O simples é mais difícil....



Pensando sobre tudo o que ouço a respeito da música de Tom Zé, Carlinhos Brown [caramba! que som esse homem faz!], e Naná Vasconcelos, Jorge Ben Jor quem pra mim é o PAI DA SONORIDADE A SERVIÇO DA PALAVRA, lembro de uma passagem de uma tradução de livro taoista e q o Tao entendia que não tinha nada a ensinar pra um agricultor de vida simples, quem come qd tem fome, etc, etc.. Me parece que - SUPERVALORIZAMOS A PALAVRA EM DETRIMENTO DA VIDA E DO ESPIRITO - essa minha viagem indica que se o som tb representa uma passagem pra o espírito (o Tao diz isso tb) se ele chega em seu destino, através do som antes das palavras, essas, há de dançarem no movimento do som, NEM MAIS E NEM MENOS.... O SUFICIENTE, acho até um EXERCÍCIO DE HUMILDADE DA PALAVRA, o suficiente, como a vida do agricultor, e pra entender isso basta comparar a nossa dificuldade àquele modo simples de vida em face da nossa complexidade e paradoxalmente lemos lemos lemos sobre espiritualidade, filosofia e o diabo a quatro, todos tentando chegar aonde aquele homem ja chegou... O SIMPLES SEMPRE ME PARECEU MUITO DIFICIL, muito inatingível, por isso, autores assim sempre tiveram minha admiração (ninguém critica Drumond com a tal pedra no caminho.


Essa tendência é a mesma de quem SUPERVALORIZA AS PALAVRAS EM DETRIMENTO DA VIDA, das ações (nos todos, uns mais, outros menos)

Através desse tipo de som, portanto, venho aprendendo que:

1. A vida [a sonoridade que chega no espírito] vem antes que as palavras suas meras serviçais e expectadoras;

2. O simples é muito mais difícil;

3. É um exercício de humildade da palavra.

4. Então,

Vamos dançar! dançar! abstraia e... dance! dance! dance!

Solte o corpo, liberte a mente e seu espírito entendera mais rápido que sua mente poluída de idéias!

"deixe eu dançar pra o meu corpo ficar Odara, minha cara, minha cuca ficar Odara, pra ficar tudo joia rara,

...canto e danço que DARÁ!

Sara Moreira - 31/07/2006 10:25

O Parto


De repente ela se descobriu gestante...
Daí entre a espera do parto e a incerteza do futuro
começa a imaginar a feição da criança,
que cada dia ia lhe parecendo mais nítida
cada dia um detalhe era mais claro


Será que ela vai ser legal?
Será que as pessoas vão gostar dela?
Será que se sentira diferente?
Será que ela vai ter atitude pra ser diferente?
Será que sentira confortável em seu lugar no mundo?

Dia do parto.
Ela pega a sua sacolinha,
Na sala de espera ela analisa as demais gestantes...



Será que ela vai ter coragem?


Inútil pensar nisso...
O processo de parto se inicia....

Ela deita na maca,
Tensa, ela canta, chora e ri.
O trabalho é fotografado.


Nasceu!

Grande e bonita,

Firme e forte,

Recuperada, passado o susto,

Lá vão eles:

Ela, a tatuagem e o pescoço....

Eternamente inseparáveis.

Sara Moreira,

Contemplação




Hoje eu vi a vida, a morte, e no intervalo entre um e outro: a contemplação!


Somos um monte de partículas esparsas que a cada instante


Nasce!


E no mesmo segundo,
simultaneamente,

Morre!


E assim vamos

Der


re

t


e

n



do

no ciclo i-ne-vi-tá-vel

entre o
viver

e o

morrer


Porque

a cada segundo

uma parte de nos

Derrete

Transforma
Transporta














Descamba

Anda
Desanda



Derretemos pra

transformar!

Pra

renascer



cada segundo,

uma

gota



cai


e ali,


a oportunidade


de morrrer!


a oportunidade

de ser!


outro!

livre!



É preciso perceber a oportunidade que há na morte
Porque em cada gota de nós que cai
Necessariamente
nasce outra forma

até o ultimo pingo

Com a libertação completa


Que
segue
escada
abaixo


até recomeçar o ciclo




de viver

e de morrer



Daí sublima


sobe




evolui






























desce
pra evoluir




A morte chama pra cima
CHAMA
da
morte
CHAMAda morte





Sublima


Hoje eu vi

A vida



E a morte



E no intervalo entre um e outro:



A contemplação!








(Sara Moreira, ainda em estado de devoção diante da exposição de mais de 600 esculturas de gelo feitas pela artista plástica Néle Azevedo, que naquele dia aos meus olhos foi Deus, o Deus da criação, o Deus da oportunidade, o Deus da renovação, o Deus dentro de mim, o Deus onipresente nas escadarias do Municipal de São Paulo, em comemoração aos 450 anos da cidade)

Quem é o homem, quem é o pombo?


Pra onde estaria voando esse olhar?
Quem é o homem e quem é a pomba?
quem é livre e quem está preso?

Quem tem limitada sua capacidade de voar de sonhar de concretizar? De quem são as mãos que impedem de voar?

Pra qual horizonte esse olhos voam?
Pra que terras eles querem voar?
De qual terra lhes tiraram?

Quem é o pombo?

Quem é o homem?

De quem são as mãos?

Quem lhes retirou a possibilidade de voar?

Não sei.

Sei apenas que enquanto pomba,

Tenho esperança,

Enquanto homem,

Tenho fé!

Enquanto permanece a minha capacidade de olhar pra o horizonte,

posso voar!

[Sara, 26/10/2006]